Pros
Salários acima da média do mercado. Crescimento rápido nos primeiros anos.
Cons
Esta empresa é o equivalente corporativo do MC Hammer: explodiu rápido, teve dinheiro, visibilidade e uma narrativa moderna… e depois começou a se autodestruir por más práticas de liderança, egos inflados e decisões internas difíceis de justificar. No início, a organização parecia bem-intencionada: tentou copiar boas práticas, apostou cedo em profissionais seniores e colocou forte foco no bem-estar dos funcionários. Nessa primeira fase, formou-se um fit cultural excepcional com a primeira geração de colaboradores, que sustentava a operação mesmo quando já apareciam sinais de microgestão e falta de empatia no topo. Depois vieram os egos. C-levels ocupam esses cargos por serem co-founders, mas não por mérito ou por uma trajetória sólida em empresas comparáveis. O comportamento e as habilidades interpessoais da C-suite provavelmente eliminariam esses executivos em qualquer processo seletivo externo para posições similares. O “prime” já passou. Em uma empresa com apenas cinco anos de vida, praticamente não restam gerentes intermediários da fase inicial. A sangria de talentos seniores é constante. O que ainda segura pessoas é simples: salários acima da média de mercado. Para muitos, é a compensação financeira por conviver com um ambiente cada vez mais tóxico. Além disso, houve situações difíceis de ignorar no dia a dia: ver gerentes saindo de reuniões chorando não era algo isolado, e sim parte de um padrão que revelava estilos de liderança agressivos e pouco humanos. Também cheguei à empresa numa segunda-feira cedo para trabalhar e encontrei o escritório em estado deplorável, consequência de festas realizadas no local por membros da liderança executiva. Para uma companhia que se apresenta como moderna e profissional, esse tipo de comportamento envia um sinal péssimo para quem está na linha de frente. Existe ainda um discurso frequente sobre empatia vindo do topo, mas que raramente se traduz em prática. Sabe quando políticos falam sobre “o que o povo precisa” sem realmente entender? A sensação aqui é parecida. Empatia não é performance nem slogan: é sentir de verdade e agir a partir disso. Esse foi sempre um déficit na C-suite, compensado apenas porque nos demais níveis da organização havia, e ainda há, muito mais humanidade, solidariedade e cuidado genuíno entre colegas. Nos últimos tempos entrou um Manager que, segundo a percepção generalizada, foi colocado por vínculos pessoais com RH, destrata desenvolvedores e promove ações “disrupcrotas”, incluindo a tentativa de eliminar PMs. Essas ideias encontraram eco na liderança operacional, mas até agora não entregaram resultados concretos e tudo indica que o executivo deixará a empresa em breve. Também chama atenção que as avaliações positivas em plataformas públicas não parecem surgir de forma espontânea: segundo a percepção interna, muitas delas são solicitadas ativamente aos funcionários, o que levanta dúvidas sobre o quanto refletem a experiência real no dia a dia. Há ainda um padrão difícil de ignorar: quem passa a reportar diretamente para a C-suite tende a sair da empresa em pouco tempo. Isso virou quase um dado empírico, basta olhar a antiguidade de qualquer gerente atual ou recente para notar a recorrência desse ciclo. Também houve episódios graves envolvendo a área comercial: pessoas de vendas relataram sair da empresa após terem comissões prometidas que depois foram negadas, apesar de constarem nos acordos iniciais. Esse tipo de situação corroeu fortemente a confiança interna. Outro caso amplamente comentado envolveu uma colaboradora que recorreu a uma gestação por substituição e, ainda assim, inicialmente se tentou negar a licença-maternidade sob o argumento de que ela não seria considerada mãe. Posteriormente, a profissional acabou sendo desligada, o que gerou enorme indignação e reforçou a percepção de insensibilidade extrema no topo. Houve ainda situações constrangedoras quando funcionários apresentaram sua renúncia: segundo relatos recorrentes, a liderança investigava para onde a pessoa iria e chegou a contatar os novos empregadores para “pedir explicações” ou interferir, expondo o profissional a um nível de constrangimento difícil de justificar. Por fim, a própria política de escritório virou sintomática. A sede, antes amplamente promovida como diferencial cultural, passou a operar praticamente vazia e hoje só abre uma vez por semana, em grande parte porque muitos evitam ir presencialmente para não ter que conviver com a C-suite. Os números falam por si: crescimento estilo foguete até a saída dos profissionais e a entrada definitiva do ego no centro do palco. Há music room, branding descolado e discurso moderno. Mas hoje a empresa soa mais como uma banda que queimou tudo na turnê do que como uma organização madura capaz de sustentar o próprio sucesso.