O processo inicial com o RH foi ótimo, mas a etapa seguinte — a conversa com os líderes da vaga — foi simplesmente trágica. A entrevista parecia mais uma prova do ENEM do que uma conversa profissional. Duas líderes conduzindo, e a sensação era de que tinham digitado “perguntas para entrevista” no ChatGPT cinco minutos antes e decidido ler em voz alta.
Uma delas, com pouco tempo de empresa, admitiu não ter conhecimento suficiente para responder dúvidas específicas sobre a posição. A outra fazia perguntas do tipo “como é o dia de trabalho de um KYC?”, como se o candidato já tivesse vivido exatamente aquela função em outra vida. Zero preparo, zero conhecimento sobre quem estava do outro lado da mesa. As perguntas foram feitas como se não fossem para mim, mas para qualquer pessoa aleatória: não leram meu currículo, não sabiam nada sobre meu histórico e ignoraram completamente a lógica de entender o match entre o que eu sei fazer e a vaga. Era como prestar uma prova de KYC em vez de participar de uma entrevista.
E aqui vem a cereja do bolo: a vaga era para Associate (Junior). JUNIOR, ou seja, ninguém espera que você seja um gênio da NASA do KYC. O anúncio pedia experiência em compliance, não em KYC — mas parece que ninguém leu a própria descrição da vaga. E quanto à “posição híbrida”? Na prática, são três meses presenciais, depois “ocasionalmente” três vezes por semana no escritório, com o detalhe de que pode virar 100% presencial a qualquer momento, sob a desculpa de “crescimento rápido” da empresa. Resumindo: era só ter anunciado como presencial e pronto. Mas não parou por aí: a escala é 5x2, com a chance de você ter a alegria de trabalhar “ocasionalmente” até em finais de semana. Imagina estar no escritório num sábado ou domingo? Sonho de consumo.
E como se não bastasse, além do assessment obrigatório, a entrevista final foi uma hora de terror psicológico: perguntas sem sentido, conduzidas como se viessem de um roteiro automático, sem qualquer lógica de avaliação real. Foi um festival de improviso mal feito.
É exatamente assim que nascem as más contratações: líderes sem preparo, sem noção da vaga e sem capacidade de conduzir uma entrevista minimamente decente. Colocam gente que não sabe o que faz para entrevistar candidatos que poderiam, ironicamente, ensinar muito mais sobre o próprio trabalho.